Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Um Momento Triste

Esse trágico episódio vivido pelo médico obstetra no Hospital Miguel Couto tem várias faces. A perda de uma criança é a face mais dolorosa. Conheço o médico envolvido neste atendimento. Cometeu um erro de avaliação, é a face técnico-profissional. A face que atenua, até certo ponto, o seu erro, é a sua conduta na dura realidade da Maternidade onde sempre se prontificou a colaborar inclusive com utilização de equipamento pessoal. Recordo-me de um caso em que a paciente introduziu pela vagina um "soldado de chumbo" e ele com seu material fez a retirada do objeto. Sabemos que jornalistas são os únicos seres humanos que não cometem erros e ao críticar seu trabalho cerceamos a "liberdade de expressão" mas, comparar este episódio aos ocorridos nos campos de concentração é despropositado. Mas isso é outro assunto.
A verdade é que há bastante tempo os hospitais municipais, responsáveis pela grande parte do atendimento de emergências no Rio, não têm oferecido tranquilidade aos seus profissionais. Desde a saída do Dr. Gazolla em 2000 as sucessivas administrações se mostraram incapazes de organizar a atenção à saúde. A rede não se articula, a regulação é pífia e as emergências continuam sendo a porta de entrada do sistema. Desconfio muito de consultorias externas, algumas delas já estiveram por aqui à frente da secretaria e as lembranças não são boas. Penso que o maior desafio nos dias de hoje é retomar a motivação das pessoas e fazê-las ter orgulho de ser servidor da saúde no nosso Estado.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Um Bom Exemplo

O Estado de Santa Catarina estabeleceu como meta zerar sua fila de transplantes de córnea. Um bom exemplo.

Domingo, 31 de Maio de 2009

O Letreiro do Miguel Couto


E o Miguel Couto tem os seus belos letreiros de volta na sua fachada. A ignomínea da gestão passada com sua programação visual de mau gosto mandou retirar as placas doadas a custo zero.Créditos: criação João Marcello Boltshauser/Foto arquiteta Roberta Esteves

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

A crise da saúde é de gestores

A crise da saúde é muito mais de gestores do que modelo de gestão. Não há fundação, OS, OSCIP que dê jeito. Vários estados/cidades atravessam epidemias de dengue com absurdo número de mortes. Transcrevo carta enviada por conhecida entomologista, Dra. Beatriz Lopes, ao jornal principal de Rondonópolis analisando a epidemia local.

O editorial do Jornal A TRIBUNA de 16.05.2009, ALERTAR OU ESPERAR? me condiciona a informar:

Há mais de 16 anos venho alertando, lutando contra a Dengue, em Rondonópolis e no Mato Grosso, e as epidemias sempre foram negadas. E minhas denúncias nunca foram vazias. Ao perceber o grande desconhecimento de quase todos sobre a questão (e descaso), prestei vestibular na UFMT, cursei Biologia e fui fazer especialização na FIOCRUZ, apesar da falta total de apoio, além das perseguições sofridas, me permitindo dizer, que quem não tem competência tem medo: houve, inclusive, uma tentativa de exoneração. Depois tive confiscado material universitário, pelo simples fato de ter revelado a enorme subnotificação (onde os dados reais não eram divulgados).

O curso superior conclui em 2002, por meus próprios méritos, sem pagar ninguém para fazer trabalhos por mim ou me conseguir o diploma. Frequentei faculdade diariamente, com chuva ou sol... E, ao colar grau, já estava inscrita para a especialização em Entomologia Médica (que estuda os insetos vetores patogênicos), oportunizando que estudasse o comportamento do Aedes e de outros insetos de importância médica.

Enfrentei a ironia e o sarcasmo de coordenadores, que, sabendo que eu estava indo para o Rio de Janeiro “com a cara e a coragem” sugeriram que lá moraria embaixo de uma ponte e etc. Pois realmente não tinha dinheiro, bolsa de estudos e sequer conhecia alguém.

E durante a especialização tive a oferta da doutora Genoveva para participar do estágio na Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, no departamento de Microbiologia, sob orientação do prof. Dr. Maulory, em “Estudos das Estruturas de Superfície do Vírus”. Lamentavelmente, fui impedida de participar pelos mesmos coordenadores...

Hoje estou sofrendo um processo também impetrado pelo mesmo grupo, por tudo que venho questionando ao longo desses anos! E eu pergunto: é mentira que aqui morreram muitas pessoas e essas mortes foram devido à dengue? É mentira que tivemos vários óbitos por Leishmaniose?

Continuo a perguntar: você já teve dengue? Se a resposta for negativa, eu insisto... E virose? ‘ah, sim, lá em casa estavam todos com virose’...

O município já perdeu muito no repasse de verbas (e está fazendo falta), devido à subnotificação. Estamos vivendo uma epidemia para qual eu já alertara. Cada epidemia envolve dois anos 1993 e 1994, 1997/1998, 2001/2002 2005/2007 e, atualmente (2009 e 2010).

Não é meu hábito criticar por criticar, mas, sim, apontar o problema e apresentar uma solução.

Por isto passei ao senhor secretário de Saúde e ao senhor prefeito, minha proposta para UMA CIDADE SEM DENGUE. Trata-se de um projeto simples e objetivo, que, aplicado e monitorado corretamente, apresentará resultados rapidamente.

Tal projeto já tinha apresentado ao gestor anterior, que não teve interesse em implantar. Ouvi alegações de ‘gerar uma despesa alta’, mas pesquisei e posso afirmar: o custo é mínimo! Senão, vejamos:

- 1 litro do inseticida Malathion custa R$23,00;

- Óleo mineral para adicionar (e pode ser até óleo de cozinha);

- Água;

- Carro UBV-‘fumacê’.

Com um litro do inseticida, prepara-se 400 litros de calda para borrifar em 800 casas, mais ou menos o equivalente ao bairro Residencial Marechal Rondon. Esse procedimento deve ser repetido a cada 10 dias (devido ao óleo que proporciona efeito residual) num período de 03 meses. Serão eliminados todos os insetos adultos existentes e os que nascerem no período. O controle, observação entomológica, é parte fundamental para a ação.

Alguém desinformado (vou assim considerá-lo) comentou ser “uma metodologia ultrapassada’, mas tal pessoa sequer tem uma proposta a apresentar... E sequer posso dar maior relevância a tais tipos de comentário, pois quem me conhece sabe que passo meu tempo livre estudando e me atualizando...

Pois é inadmissível que, em pleno Século XXI, um mosquito miserável se mantenha infectando e matando nossa gente!

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Essa Página

Quando saí da direção do Miguel Couto estava muito indignado com o estado de calamidade a que a rede do município tinha sido levada. Fui convocado a depor na CPI da Saúde na Câmara dos Vereadores e narrei a minha versão dos fatos. Desse depoimento nasceu o desejo de difundir o meu e outros depoimentos mais brilhantes que lá foram registrados. Foi a razão de criar essa página. Mas sua existência violenta um dos princípios que cultivo, trabalhar em equipe. Assim, convidei o grupo do qual fiz parte na elaboração de um programa de saúde para o Rio, para compartilhar esta página que receberia o nome do nosso programa, "Saúde e Desenvolvimento". Esse deve ser o futuro desta página.

A matemática da saúde

A matemática ajuda a entender porque a cidade de Belo Horizonte tem sido considerada referência no sistema público de saúde.
Sua rede de serviços de saúde é composta de 132 UBS, 505 PSFs, 06 UPAs e 07 unidades secundárias. A base do seu modelo é a atenção primária composta das UBS e PSFs (637 unidades). Para se ter uma ideia, no Rio de Janeiro temos 160 UBS e PSFs em número inexpressivo.
Esse é o grande desafio da atual secretaria de saúde no Rio: implantar uma eficiente atenção primária, que no seu início tem custo elevado, sem colocar em crise o sistema secundário. Como pano de fundo a crise econômica exigindo cortes de gastos.
Vamos ver quais são as prioridades deste governo.

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

A morte do SUS


Após 20 anos da Constituição que implantou suas bases, o SUS está à beira da morte. É consenso a necessidade de reforma e aperfeiçoamento do sistema. O que não é consensual, muito pelo contrário, é a transferência da gestão dos serviços de saúde a organizações sociais(OSs) ou, as chamadas fundações estatais. As primeiras são vergonhosamente ilegais e inconstitucionais e as fundações utilizando os mesmos recursos do Estado atingirão os já precarizados processos de trabalho.
Essa gente assumidamente neoliberais ou "partidários da boquinha" se encontram na contra-reforma do Estado. A verdadeira reforma do estado que é bom, fica para depois.
O que essa gente não entende é que do ponto de vista operacional a carreira do profissional de saúde segue uma lógica de conhecimento e experiência. Tomando como exemplo a carreira médica: o "ciclo profissional" se inicia no internato (6º ano) segue com a residência médica e/ou outras pós-graduações. É a construção de uma carreira. Equipes de trabalho se formam e se tornam referências das instituições a que pertencem ou mesmo regionais. Ora, esses modelos propostos são facilitadores da desestruturação destas equipes formadas ao longo de razoável tempo.
O centro do problema,como cansativamente já foi dito aqui, é gestão ou melhor a falta de gestão. Nossas políticas públicas não acompanham as demandas sociais. Nossos gestores são indicados mais pelos seus relacionamentos, do que por sua comprovada competência. O que impede o Sistema Público de Saúde trabalhar com metas, avaliação, orçamento, instrumentos de gestão e buscar a eficácia?

Ética é bom para os outros

É urgente a separação da atividade médica destas empresas da saúdequer sejam laboratórios, quer sejam planos ou seguros de saúde ou fornecedores. Esse pagamento aos médicos de viagens, jantares, estadias em spas, brindes caros e outras práticas é incompatível com a liberdade e autonomia do médico na sua clínica diária. Isto se torna mais grave quando envolve entidades médicas responsáveis pelo zelo do exercício profissional.
Somos cientes da delicadeza do tema. Mas adiá-lo diante da crescente evolução da indústria da saúde é tornar sua solução cada vês mais distante.

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Hospital de Acari

Há pouco tempo acessei a página do Hospital de Acari que foi "terceirizado" e li que se intitulavam o 2º hospital da rede municipal. Essa foi uma mentira que se iniciou na gestão do ex-secretário César Coelho e eles assumiram. Não perdi tempo, mandei um email afirmando que aquilo era uma mentira. Esse ranking é baseado na capacidade instalada, capacidade operacional e produção. Ora sob qualquer destes aspectos o 2º lugar da rede continuava sendo do Miguel Couto. A origem destas distorções está no momento em que o MC foi escolhido hospital piloto para o Qualisus no RJ. Na cabeça destes ex-gestores a escolha tinha sido política. Na verdade a escolha se deveu ao reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo grupo de gestão do qual eu fazia parte.
Agora temos o Hospital de Acari sob suspeição com diminuição de leitos, equipamentos parados etc
Na saúde uma administração ruim destrói tudo em meses e a reconstrução leva anos. É essa a situação que estamos vivendo no RJ.

Sábado, 4 de Abril de 2009

Uma frase & Considerações

"Se quiser governar o Brasil vá ao Vale do Jequitinhonha e não a Harvard". É do Senador Buarque. Hoje, esse é um dos grandes problemas na saúde: muita gente de "harvard" e pouca gente que conhece o "cheiro" de um doente. Para comprovar isso veja o que disse esse secretário de saúde do estado do RJ quando foi nomeado para o cargo: "Estou saindo de Washington e indo para Bagdá". Primeiro não me consta que o INTO seja algo de primeiro mundo, segundo se a saúde do Rio parece Bagdá se deve a que sua gestão nos últimos anos esteve entregue a pessoas como ele, que não tem a menor noção do que seja saúde pública nos seus segmentos estratégicos.

Sábado, 28 de Março de 2009

Construindo um país melhor

Vivemos permanentemente o sonho de um Brasil melhor. Fiz uma lista do que ou quem, se não existissem, o país seria melhor. Acrescente ou faça a sua. Vamos a minha:
Sarney, Calheiros, Collor, Milton Temer, PMDB, PPS e outros nanicos, Jabor, Manhattan Connection, arcebispo de Olinda e Recife, burocratas, puxa-sacos, especialistas de um modo geral que tudo sabem e nada executam,apadrinhados políticos em cargos técnicos, gestores públicos mentirosos e/ou farsantes, desrespeito ao idoso, violência a mulher, falta de educação e civilidade. Chega, estou querendo o Brasil Fantasia, eu sei.

Sábado, 10 de Janeiro de 2009

Tempos de Intolerância

Sempre que há estes conflitos entre Israel e palestinos lembro-me do meu colega da faculdade na Praia Vermelha, Miguel Melzak. Tive conhecimento de sua morte precoce em Israel, em 2003, e nestes dias de intolerância lembrei-me dele. Recorri a internet e encontrei o texto abaixo que reproduzo parcialmente de autoria do psicanalista Paulo Blank e publicado no Boletim ASA de 2003. O título é Melzak, o Sionista Utópico

"Nestes tempos de ódio acirrado, mais do que nunca, homens como Miguel Melzak farão falta. Era dado ao diálogo, à fala mansa. Coisas raras quando as certezas soam barulhentas.Tão raras que soará estranho dizer que Miguel era um sionista socialista. Imagino o susto do leitor. Sionistas não são aqueles seres que só querem matar palestinos? Miguel, como muitos outros, não correspondia a esta imagem da moda. De tempos em tempos a mídia elege novas vítimas e novos algozes."

Militante político, sionista e socialista, Miguel era defensor dos direitos palestinos. Como já foi dito sobre outros "utópicos", "ele ficará nas nossas lembranças como guerreiro solitário, injustiçado pela realidade que preferiu à sua bela utopia, essa mediocridade, a boa porcaria em que vivemos."

Sábado, 3 de Janeiro de 2009

Um Pouco da História do Miguel Couto


Em 1975 foram filmadas, em setores do Miguel Couto, algumas cenas do filme "O Casamento" baseado em história de Nelson Rodrigues. A foto acima mostra a talentosa atriz Adriana Prieto, depois falecida em acidente automobilístico, em cena rodada na sala da chefia da Patologia do Hospital. No texto a seguir o diretor Arnaldo Jabor narra coincidências que cercaram o filme e a vida real:
"Tem uma sequência em que Adriana tem um pesadelo e sonha que está morrendo depois de um aborto, no mesmo lugar onde ela morreu de verdade, no hospital Miguel Couto. E ela foi colocada na mesa do necrotério onde ficou o namorado dela no filme, que morre num desastre."
Morria no Miguel Couto, em 1975, uma linda mulher e uma talentosa atriz.Foto: site www.omartelo.com

Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009

Quando somos colônia

Essa recém lançada(3ºano)lista dos hospitais e médicos mais admirados é uma cópia colonizada das existentes na América. Não pretendo comprar esse anuário, mas, baseado no noticiário, mais do que suficiente para analisar, concluímos que os "eleitores" estavam concentrados na academia ou no sistema privado, mesmo quando referenciados como representantes das sociedades médicas. O resultado não poderia ser diferente do que saiu. É mais um momento de lustrar vaidades e nenhum benefício para a população que necessita e usa o sistema de saúde.

Fugindo do Tema

Duas perguntas que têm se repetido: porque socorrer as montadoras de carros após um período de grandes ganhos e não socorrer a Varig, empresa nacional de grandes serviços prestados ao país? Deixar o mercado da aviação comercial nas mãos destas duas empresas caipiras é maldade com o consumidor.